Michel Arnoult

Michel Arnoult, nascido na França em 1922, mudou-se aos 26 anos para o Rio de Janeiro, onde estudou arquitetura e estagiou com Oscar Niemeyer. Antes de concluir o curso, associou-se ao arquiteto escocês Norman Westwater, iniciando sua atuação no design de móveis.

Desde o início, buscou atender às necessidades reais do mercado brasileiro, com a intenção de tornar seus móveis acessíveis ao grande público, inclusive por meio de grandes lojas. Diante das transformações arquitetônicas do país, desenvolveu mobiliário funcional, esteticamente qualificado e adequado à produção em série, utilizando princípios como modulação e redução de peças, contribuindo para a modernização da indústria moveleira nacional.

Em 1954, fundou em Curitiba a empresa que viria a se chamar Mobília Contemporânea, transferida em 1955 para São Paulo, com expansão também para o Rio de Janeiro. Defendia a durabilidade dos móveis e rejeitava o consumo descartável. Em 1970, criou o conceito Peg-Lev, de móveis desmontáveis vendidos em supermercados, que não obteve aceitação, levando ao encerramento da empresa em 1973.

Posteriormente, trabalhou na fábrica Senta e, a partir do final dos anos 1980, atuou de forma independente, mantendo uma abordagem alinhada a Geraldo de Barros e às ideias de Victor Papanek, voltadas a um design socialmente responsável. Nesse período, passou a utilizar madeira de reflorestamento.

Em 2003, foi premiado no Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, com a poltrona Pelicano. Faleceu em 2005, aos 83 anos, deixando projetos ainda inéditos.